As declarações do multimilionário americano George Soros, autor do livro "O Caos financeiro Mundial", fornecida hoje ao Jornal Le Monde - França, deixa dúvidas quanto a capacidade de recuperação dos países europeus e da própria moeda, o Euro.
Suas preocupações refletem também a de muitos especialistas, inclusive de que a crise atinja outros países em especial os em franco desenvolvimento, como é o caso do Brasil.
Confira a matéria traduzida abaixo, publicada no site do jornal El Pais da Espanha.
slrm
GEORGE SOROS: "SE EU TIVESSE QUE INVESTIR, APOSTARIA CONTRA O EURO"
O bilionário investidor e filantropo americano acredita que, mesmo que a moeda única sobreviva a crise, a Europa aguarda um período de grande dificuldade.
MATÉRIA TRADUZIDA.
O bilionário investidor e filantropo americano George Soros diz que, se tivesse que investir, apostaria contra o euro e considera que, mesmo que a moeda única sobreviva à crise, a Europa aguarda um período de grande dificuldade.
Em uma entrevista ao jornal Le Monde, hoje, Soros garante que a crise do euro ameaça destruir a União Européia e os dirigentes do velho continente estão levando a Europa á ruína, de acordo com o que expressou em seu último livro, O caos financeiro mundial.
Soros, que acumulou uma parte de sua fortuna após a queda da libra esterlina em 1992 apostando contra a moeda britânica cerca de 10 bilhões de dólares, diz que, embora já esteja aposentado, se tivesse que investir, apostaria contra a moeda única. Para o financista, a introdução do euro, em vez de criar convergência, levou a divergências.
Em sua opinião, as nações mais fracas de zona euro estão na situação dos países do terceiro mundo que contraíram empréstimos em moeda estrangeira. O norte-americano, de origem húngara, é de opinião que, embora o euro deva sobreviver, a Europa terá antes um difícil período, semelhante ao que aconteceu na América Latina após a crise de 1982, ou Japão, estagnado há 25 anos.
Contrariamente a estes exemplos, União Européia não é um país e, portanto, exprime o seu medo de não sobreviver a crise atual. Segundo ele, os dirigentes europeus, já perceberam que têm feito demasiado pouco, demasiado tarde.
Para o bilionário, embora o Banco Central Europeu (BCE) criou medidas fora do comum com seus empréstimos a bancos há três anos, o contra-ataque do Bundesbank (autoridade de certificação alemão) quebrou este efeito.
FRANÇA, EM SITUAÇÃO PRECÁRIA
Toda a Europa é guiada pela ortodoxia do Bundesbank, enfatiza o Jornal, que acrescentou que o banco central alemão empurra a Europa para a deflação, porque, em sua opinião, é impossível reduzir a dívida naufragando o crescimento.
Em pena reta final para as eleições presidenciais francesas, que irão competir na primeira e segunda rodada neste domingo e em 6 de Maio, respectivamente, Soros indicou que, se eleito, o socialista François Hollande, terá muita dificuldade para afastar-se da linha alemã.
Questionar a ortodoxia financeira pode expor o país a um ataque de mercado, concluiu o norte-americano, para quem a França está atualmente em situação precária.
slrm

Nenhum comentário:
Postar um comentário