segunda-feira, 23 de abril de 2012

CARTA DE UM ELEFANTE AO REI DA ESPANHA.



Esse texto intitulado “Carta de um elefante ao Rei da Espanha”, recebi pela internet e é atribuído ao jornalista Juan Arias, em seu blog, publicado em  18 de abril de 2012.
O texto veio em espanhol e fiz a tradução para português. Não tenho certeza da originalidade da fonte, entretanto, é válido como protesto e indignação contra essa atitude que as aristocracias continuam teimando em manter, especialmente demonstrando enorme insensatez e completo desrespeito á natureza.
Entre outras coisas, a matéria em sua parte inicial faz menção á frieza com que certas companhias de turismo (se é que se pode chamar isso de turismo), especialmente inglesas, anunciam os safáris do tipo que participou o monarca espanhol. O mais dramático é que colocam preços em dólares ou euros sobre a morte dos animais, variando com a espécie, chegando ao descalabro de cobrar multa, caso o caçador não mate o animal, simplesmente ferindo-o. Voltamos à barbárie e são exatamente aqueles que se dizem cultos, elite do mundo, os responsáveis por esses atos de absurda selvageria.
A indignação não poderia ser diferente e as desculpas esfarrapadas do rei não me convencem em absoluto. A humanidade precisa fazer jus a esse título e compreender que não há motivos para atracar a natureza simplesmente para satisfazer o prazer egóico ou doentio, com práticas que há muito já deveriam ter sido abolidas.

”Um homem é verdadeiramente ético apenas quando obedece sua compulsão para ajudar toda a vida que ele é capaz de assistir, e evita ferir toda a coisa que vive.” – Albert Schweitzer (1875-1965).
slrm


CARTA DE UM ELEFANTE AO REI DA ESPANHA.

Senhor rei da Espanha:

Eu sou um elefante de Botsuana, país africano no qual sua Majestade foi recentemente  descansar das suas fadigas, caçando em um safári. Os elefantes são dóceis, mas ferozes quando atacados. Nossos deuses do Cerrado também são bons, não vingativos, mas com ciúmes de seus habitantes.

Talvez por isso  eles quisessem preservar sua vida, importante para o seu país, embora eles quisessem avisá-lo com sua queda e suas fraturas no acampamento, de onde saiu para caçar-nos, que seria melhor agora para sua Majestade, que tem vivido mais tempo do que o que vivemos nós, dedicar seu tempo para outras coisas, em vez de vir nos matar.

Por exemplo, cuidar da Espanha que está caindo aos pedaços economicamente, dos  52%dos jovens que estão desempregados após tantos anos de estudos, ou simplesmente prefiram ver os animais correrem e se divertirem em seu habitat natural, mas sem espingardas, com mãos vazias ou cheias de flores.

Sabemos que não fez nada ilegal vindo aqui,  pagando muitos milhares de euros para  matar um dos nossos, conforme permite as leis do meu país. Para muitos, a caçar e matar animais é como era antigamente caçar a laço, negros ou índios para escravizá-los.
Basta, entretanto, que algo seja legal para fazê-lo? Há também as leis do coração, não escrita, de sentimentos humanos, que dizem por certo serem superiores a nós, e há alguns exemplos que um rei deve oferecer mesmo em sua vida privada.

Desde seu primeiro discurso como rei, vossa Majestade disse que queria ser de todos os espanhóis. Sei que existem ainda muitas pessoas que não se importam de ver o sofrimento ou morte de  animais e até mesmo se divertem  assistindo a isso na Espanha. Mas também existem milhões de pessoas, especialmente jovens, que gostam de animais, querem protegê-los e viver em harmonia com eles. Esses milhões de espanhóis, creio, não gostam particularmente da imagem de seu rei vindo para a África, que é o nosso território, espingarda sobre o ombro, para se distrair, atirando em nós sem que tenhamos defesa.

Disseram-nos que vossa Majestade tem uma das melhores coleções de espingardas de caça que existem. Podemos fazer uma sugestão? Doe-as a um museu e anuncie aos espanhóis. Seu rei já não vai matar qualquer animal e os anos restantes que você ainda tem de existência, que ainda é mais do que nós vivemos, desejamos que pretendas dedica-los em favor da vida e não da morte.

Sabemos que nós, elefantes, como o resto dos animais, não temos direitos, aos olhos de vocês. Nascemos para sermos caçados e mortos. Mas queremos lembrá-lo que não fazemos mal a ninguém. Nós somos sensíveis e humildes e até mesmo nos parecemos com vocês Homo Sapiens. Zoólogos dizem que somos dos poucos animais que respeitamos nossos mortos e os poucos que sabem como reconhecer, como seres humanos, em um espelho.

Talvez seja verdade que para vocês seres humanos os elefantes sejam, inúteis, não sendo indispensáveis para nada, mas isso não lhes dá o direito de nos matar. Também as monarquias hoje - e eu digo isso com todo o respeito - são inúteis para muitos e nem assim é praticada a caça aos reis e rainhas.

E falando em Queens, gostaríamos de saber o que sua discreta e amada Rainha Sofia pensa de seu amor pela caça de elefantes. Ela como uma mulher e como mãe, deve saber que em nossa organização na savana, vivemos num Reino matriarcal. Elas, mães elefantes, organizam e conduzem nossa Comunidade. São mães amorosas e amamentam seus filhos de três até cinco anos e sofrem como vocês seres humanos quando são mortos por capricho.

Finalmente gostaríamos que seus netos e bisnetos, Majestades possam um dia divertir-se sem ter que vir para a África caçar-nos e arrancar nossas presas de Marfim para decorar palácios reais com seus troféus da morte.

Quem sabe mesmo querendo não possam fazê-lo, porque restam apenas no mundo 30.000 elefantes e na rapidez com que nos matam, seus netos já não poderão fazê-lo, porque então já estaremos extintos. Serão obrigados a contentar-se a caças baratas que parecem ter um milhão de anos e capazes de resistir até à radiação atômica. Nós, não. Somos grandes, mas frágeis, talvez por isso atraiamos tanto ás crianças que gostam de divertir-se conosco, porém, vivos, não mortos.

Desejamos, Majestade, em nome de nossos deuses, que se recupere rápido do susto que lhe demos, não tínhamos a intenção de matá-lo, apenas faze-lo pensar que ao chegar o momento de deixar sua vida e sair desse planeta, possam os elefantes que estiverem vivos, chorar por sua pessoa, ao invés de alegrarem-se pela morte de um verdugo.

Os ventos da selva são misteriosos, Majestade. Por que não nos dá suas espingardas em vida?

Com respeito e em nome de todos os elefantes do Botswana

Nenhum comentário:

Postar um comentário