domingo, 5 de agosto de 2012

O QUE AGRADA MAIS A DEUS? O QUE BUSCA O DESENVOLVIMENTO DE SEUS IRMÃOS OU O QUE SE AGARRA Á LITERAL INTERPRETAÇÃO DA LEI?


UMA REFLEXÃO SOBRE A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA.
A maioria dos povos do mundo professa alguma religião. Mesmo os povos considerados primitivos e sociedades tribais cultuavam seus deuses ao longo da história humana.
            Entre as oito grandes religiões predominantes atualmente no mundo   há uma predominância das religiões de cunho Cristão ou pré-cristão, como o judaísmo clássico, as religiões islâmicas, além do budismo e do Hinduísmo.
            O que me causa espécie é que apesar de quase todas elas, em especial as de origem cristã, e mesmo a Judaica, cuja crença baseia-se em uma divindade única,  cujos mandamentos ensinam o amor e a cooperação com seus semelhantes (especialmente após a vinda do Cristo que dá nova visão aos textos da antiga lei Judaica embasada no Antigo Testamento), na prática agem com intolerância, arrogância, prepotência e julgam-se acima de todas as coisas. Estabelecem-se não como divulgadoras de uma mensagem de amor, mas como pregadoras de um dogma cristalizado nos interesses temporais, onde cada qual se julga o absoluto dono da verdade e do eterno.
            Essas igrejas espalhadas pelo mundo disseminam muito mais o medo da punição, a teoria do castigo infernal, do pecado eterno, da morte eterna, contra o princípio da vida plena, do amor universal e do respeito à criação.
            Embora estejam repletas de mandamentos e códigos de conduta ética e moral, o que se vê na prática é exatamente o contrário do proposto, e uma enorme desvinculação da palavra pregada em seus próprios textos, com suas ações no mundo temporal.
            As igrejas são ricas, seus membros exercem forte influência nos meios sociais e políticos, algumas possuem até instituições financeiras (usurárias) e fincam suas bases no mundo material concreto, enquanto pregam a seus fiéis que esperem a felicidade proveniente de outro mundo. As igrejas e seus membros são ricos e suas ovelhas são pobres e miseráveis, devem conformar-se com a vontade de “Deus” e esperar o reino dos céus, enquanto seus orientadores espirituais enriquecem na terra.
            O mais contundente é que qualquer um que não professe alguma fé religiosa é banido ao mundo dos pagãos, filho de Satanás e apodrecerá nos mármores dos infernos, mesmo que esse pobre ser seja um ser humano muito mais consciente, digno e humanitário que os que professam a admirável  fé.
            Citando os próprios textos que tanto adoram lembrar e pregar, porém pouco cumprir, deveriam lembrar-se das palavras do Mestre sobre a hipocrisia e o julgamento : (“E por que reparas tu no argueiro que está no olho de teu irmão, e não vês a trave que está em teu olho? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho de teu irmão” [Mateus, 7:35]. Eis porque todo julgamento é condenável por sua própria doutrina.
            É nessa linha de pensamento que o Cristo afirma em (Lucas, 6:37/38): “Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados. Dai, e dar-se-vos-á; boa medida, recalcada, sacudida, transbordante, generosamente vos darão; porque com a medida que tiverdes medido vos medirão também.”
            Tudo isso enfim, apenas para afirmar que não deve haver supremacia de quem quer que seja sobre outrem, porque todos são seres humanos igualados pelo nascimento como tal e pela morte como confirmação. O tempo que reina entre o nascer e o morrer traz o acúmulo de nossos atos, bons e maus. Ao final,  a vida terá valido à pena e possuído sentido se o balanço entre nossas ações positivas for maior que as negativas. Se contribuirmos para o progresso da humanidade e para melhoria de nosso próprio ser, então, independente de qualquer credo, teremos cumprido nossa tarefa como seres que dentro da escala biológica atingiram uma privilegiada posição de consciência.
            Crédulos ou incrédulos, isso não faz diferença. Todos, sem exceção,  são obras da criação. Se através de nossos atos modificamos o mundo, melhoramos a nós mesmos, trazemos progresso e desenvolvimento tecnológico e científico para a sociedade como um todo, eliminamos a pobreza, melhoramos a vida dos seres e do planeta, tornando as pessoas mais felizes, aqui e agora, isso é agir de acordo com a criação. Não importa se frequentamos tal ou qual igreja, tal ou qual religião, ou se somos absolutamente agnósticos ou ateus. O fato de não enxergarmos a olho nú as estruturas do DNA humano não significa que elas não existam e não exerçam influência sobre todos nós. Mesmo que alguém afirme não acreditar na existência do DNA, o que é um direito de crença individual, não muda absolutamente nada que ele continue exercendo sua importante função de transmitir nossos caracteres hereditários e  de sustentar nossa adaptação à vida no planeta. Ele está em todos nós quer acreditemos ou não, invalidando assim qualquer discussão nesse sentido, pois uma vez estando aqui, materializados, cabe-nos apenas avançar e progredir no sentido da melhor forma de viver em comunhão com a natureza.
            O maior crime que se pode cometer é o crime contra a vida, qualquer vida. Templos luxuosos e fiéis miseráveis é um crime contra a natureza e não importa a crença. Aprovar o orçamento de países que gastam trilhões para produzir armas que vão semear a guerra, a peste, a fome e a morte, é o  maior dos crimes contra a natureza criadora. Como pode qualquer dessas pessoas, por todo o mundo,  professarem uma fé religiosa que compactua com tal barbaridade? Como conseguem conviver com sua religião, frequentando seus templos, bem vestidos nos finais de semana, mas na prática diária omitindo-se ou apoiando ações como o assassinato pela guerra, fome ou doenças de milhares de outros seres? Seus irmãos? É simplesmente absurdo, incoerente e irracional.
            Incrivelmente, por paradoxal que seja, exatamente nas sociedades menos diretamente subordinadas a qualquer religião, os seres humanos parecem haver encontrado a melhor forma de convivência, respeito, dignidade e desenvolvimento. São ateus? Pagãos? A expressão do demônio? Não me parece assim. Estão talvez muito mais próximos de Deus, mesmo que não o creiam ou não o saibam, que muitos daqueles enredados em suas doutrinas, porém cegos para a vida e para as necessidades de seus semelhantes.
            Nossa mãe é a terra, nela viemos à vida, nela deixaremos a vida. Nela nosso corpo material foi construído e milhares de vezes transformado. Nela também ficarão nossos retos,  e como Alexandre, caminharemos para a eternidade tão nús como nascemos.
Sejamos tolerantes e fraternos, pois o planeta terra a todos acolhe e alimenta sem distinção e não deve ser o homem a agir diferente daquilo que a ordem natural impõem.
Lucas: 9:49/50 – “Falou João e disse: Mestre, vimos certo homem que em teu nome expelia demônios, e lho proibimos porque não segue conosco. Mas Jesus lhes disse: Não proibais, pois quem não é contra vós outros, é por vós.”
Lucas: 11:52 – “ Ai de vós, intérpretes da lei! Porque tomastes a chave da ciência; contudo, vós mesmos não entrastes e impedistes os que estavam entrando.”
“Não é preciso templos nem filosofias complicadas. Nosso cérebro e o coração são nossos templos e a filosofia é a bondade” 14 Dalai Lama Tibetano (1935).
“Fé é acreditar no que você não vê; a recompensa da fé é ver o que você acredita.” Santo Agostinho – Bispo de Hipona (354 – 430) Teólogo e escritor – um dos maiores filósofos do catolicismo.
“Ter fé não é acreditar  sem provas; é confiar sem reservas.” (anônimo)
“Não é que as pessoas incrédulas não acreditam em nada. É apenas que elas não acreditam em tudo.” – Umberto Eco (1932) Escritor e professor.
“Dizer que um crente é mais feliz que um cético é como dizer que um bêbado é mais feliz que um sóbrio.” George Bernard Shaw – (1865-1950) Escritor e dramaturgo Irlandês, prêmio Nobel de literatura.
“Duvidar de Tudo ou crer em tudo. São duas soluções igualmente cômodas, que nos dispensam, ambas, de refletir.” – Henri Poincaré – Francês (1854-1912) – Matemático – filósofo da ciência.
“Antes de ensinar as pessoas a salvarem sua alma, é preciso permitir-lhes viver em condições tais que possam saber que têm uma.” São Vicente de Paula – Religioso, fundou a congregação dos Lazaristas.
“A melhor religião é aquela que torna cada ser humano melhor.” – 14º Dalai Lama – Líder do Budismo Tibetano – Prêmio Nobel da PaZ.
“ Jesus dizia: amar; a igreja diz: pagar.” Victor Hugo (frencês 1802-1885) –Escritor.
“Ir á igreja não faz de você cristão mais do que ir a garagem faz de você um carro.” –Laurence J. Peter (candanese -1919-1990) Escritor
“A igreja está sempre tentando conseguir outras pessoas para reformar. Não seria uma má idéia se  a Igreja tentasse se reformar, por exemplo.” Mark Twain – Americano (1835-1910) – Escritor.
“As religiões assim como os vagalumes, necessitam de escuridão para brilhar.” – Arthur Shopenhauer – (alemão – 1788-1860) – Filósofo.
“Todas as religiões são fundadas no medo de muitos e na esperteza de uns poucos.” – Henri Stendhal – (francês – 1783-1842) Ecritor.
“Não tenho medo de Deus, exista ele como dizem os religiosos ou não. Tenho muito medo dos homens, principalmente os que se arvoram em afirmar conhecer a Deus e ser seu intermediário.” (slrm)

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