segunda-feira, 1 de outubro de 2012

STF É A ÚLTIMA PRAIA

SALA DE ESPERA
VITTÓRIO MEDIOLI (JORNAL O TEMPO /BH/MG – 30SETEMBRO2012)

STF É A ÚLTIMA PRAIA

Maquiavel sugeriu várias fórmulas para se chegar ao poder e mantê-lo, a mais lapidar, não paira dúvida, se sintetiza em "os fins justificam os meios". Para o florentino tudo poderia ser usado para alcançar a meta: corrupção, engano, traição, mentira, dissimulação, roubo e até homicídios. Porém, esgotados os meios sem lograr êxito algum, ele não julgava desonroso o recuo, o exilio, o silêncio, a retirada do campo de batalha para não perder a vida e, assim, manter a possibilidade de retornar ao poder. Enquanto há vida há, também, esperança.

Houve depois de 1989 em toda a Europa com a queda do Muro de Berlim a impossibilidade para os partidos social-comunistas de justificar um discurso que se ideologicamente redondo e atraente, na prática se tornava indefensável quando milhões de pessoas, renegando sua bandeira passaram a marchar no sentido do ocidente pedindo abrigo. Nesse momento os partidos comunistas do ocidente, como comunista era a União Soviética, ruíram como o muro.

Além de perder o apoio financeiro que lhe era reservado pelos russos, acabaram perdendo o discurso. A realidade os contradizia, o povo se movia do oriente para ocidente. O comunismo ficou inviabilizado debaixo dos escombros de Berlim.

Essa foi na historia moderna a mais marcante mudança que uniu a todos no mesmo sentido. Menos mal para alguns comunistas como Putin que voltaram ao poder, e outros que nem saíram, mas não mais como "comunistas".

Quem era continuou, no fundo, sendo de esquerda, mas deixou de recorrer a doutrina marxista para o sermão. Lá aos "ex" restou-lhes metamorfosear em rótulos que até estão mudando de nome e de cor. De comunistas, passaram a socialistas, de socialistas a esquerdistas e continuaram mais como negação do establishment social-democrata, sob a saia curta de no global. Vencidos como tais adotaram o anti-neoliberalismo e depois de ter adotado o que criticavam de neoliberalismo, tentaram invadir as áreas ambientalistas, mas com pouco sucesso, pois a linguagem não se acomodava a doutrina original. Sobrevivem até hoje sob a branca pele de esquerda democrática, mas alguns em ocasiões festivas usam o traje de gala dos antigos lobos. Aguardam que a história lhe dê uma outra vez.

Creio eu que o futuro clama por movimentos (e não partidos) socialmente engajados, não como ideologia mas a identificação dos métodos propostos. Métodos corretos, transparentes, ambientalmente engajados, sinérgicos por excelências, de qualidade, libertos de retumbância que marcam a direita quanto a esquerda. A hora é de 3ª via, de experiências novas, sempre que o sistema politico atual possibilite uma brecha eleitoral.

No Brasil o PT vive o inferno astral que mereceu, exatamente pelos métodos toscamente maquiavélicos. Num país mais escolarizado estaria morto, aqui resiste atirando com a metralhadora giratória.

Por bem menos que um mensalão um partido europeu teria entrado em combustão espontânea, mesmo sem se ter apresentado como paladino de uma ética quando caçou um presidente da República por uma "Elba". Desviou dezenas de milhões do Banco do Brasil para abastecer um propinoduto, que servia-lhe para lograr diferentes finalidades, invariavelmente ilicitas. A titulação de "caixa 2" não atenua, mas confirma o roubo.

Todos usaram o caixa 2? Creio que sim, entretanto, o que não se perdoa facilmente ao PT é a traição de seus princípios. Soariam menos paradoxais as lamentações e argumentos de um exército de escribas contratados em defesa dos mensaleiros, que entopem minha caixa de mensagem, se fossem as pessoas defendidas outras, não os Zés, os Paulos, os Delubios que fizeram sucesso cavalgando a ética mais rigorosa.

As dezenas de artigos e textos de gente escalada com os mais irrelevantes e conturbados arrazoados não deveriam tocar nos ministros do STF. Eles não tem bolsa alguma, nem "estômago" que lhe faça esquecer a realidade sombria. Caixa 2 ou mensalão pouco importa, o dinheiro que corria no propinoduto era de origem pública e numa quantidade que nunca se viu em 512 anos de história. Perdoar isso seria implodir a democracia.

O PT e seus generais deveriam pensar numa refundação do partido, livrando-se de quem meteu a mão. Apenas defendendo-os distribuem sobre o conjunto a cumplicidade. Na revolução francesa, os mais fundamentalistas, aquele que colocaram as guilhotinas para funcionar e pareciam insubstituiveis, foram também guilhotinados.


Enfim, com a ética destruida, não há democracia que consiga resistir.

Um comentário:

  1. Não há como contestar o conteúdo do texto. Por mais que os Petistas de plantão se arvorem em todas as formas de defesa de seus líderes, envolvidos na mais grave corrupção desse país, suas explicações soam ridículas.
    O próprio Lula, disse quando ainda no governo, ao ser interrogado por um jornalista, que “nunca foi de esquerda”. Provavelmente também nunca foi sindicalista, ou foi apenas de fachada para atingir um objetivo: usar a massa operária para chegar ao poder. Parece ter sido essa a única e verdadeira premissa do PT e seus líderes, o poder pelo poder para os amigos sindicalistas.
    Chegado ao poder, logo buscaram uma forma de nele perpetuarem-se, e o melhor caminho foi o do desvio de verbas públicas, da lavagem de dinheiro, dos caixas 2, das licitações fraudulentas, etc...
    A defesa de seus membros envolvidos que o partido faz, soa ridícula e só se sustenta na massa ignorante, despolitizada e incapaz de uma análise crítica do contexto político. Os brados opositores do partido, anteriores á eleição de Lula, ficaram esquecidos em meio a ânsia de governar a qualquer preço e sufocar a oposição (que aliás nem moral tem para resistir).
    Os trabalhadores tornaram-se apenas massa de manobra, estatisticamente significante nos mais diversos processos de apuração de aprovação da imagem dos governantes, da distribuição de bolsas e do mecanismo financeiro que cala a maioria da grande imprensa, onde o governo investe cada vez mais pesado e cobra fidelidade.
    Se a guilhotina decepará as cabeças de quem criou somente o tempo e a história dirão.

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