O POVO NAS RUAS.
Hoje no meio da manifestação popular contra a Copa, que se tornou uma derivação da manifestação inicial que criticava o aumento de passagens em São Paulo, presenciei aqui em BH, bandeiras de partido político, como o PSTU, mas essa não é a tônica desse movimento que parece nascido nas redes populares, rejeitando políticos e partidos, apenas o sentimento de indignação que move a massa.
O movimento espalhou-se como rastilho de pólvora principalmente porque esses governos, experts em segurança pública, acima de tudo autoritário, sob um manto democrático, optou pela truculência ao invés do diálogo.
No Governo de dona Dilma que passou pelo maior vexame internacional ao ser estrodonsamente vaiada em Brasília, na abertura da Copa das Confederações, quando talvez pensasse fazer mais um daqueles seus discursos melosos, como uma mãe preocupada com os filhos da nação, o que tem imperado é a arrogância, o autoritarismo e a imposição. O diálogo com o povo, tão propalado quando seu partido ainda era oposição, desapareceu totalmente ao entrincheirar-se no poder.
O movimento das ruas está repleto de jovens, esses mesmos que muitos afirmavam ser alienados. O movimento parece possuir uma organização, uma coordenação que talvez surja dos meios universitários e estudantis, como antigamente, mas também parece permeado de outros jovens profissionais dos mais diversos setores, inclusive de órgãos públicos, pouco satisfeitos com os atuais desmandos do país.
A revista época afirma “eles estão nas ruas” , “mas quem são eles?” Afastando-se alguns mal intencionados, baderneiros ou bandidos, e outros infiltrados sabe-se lá por quem, a massa esmagadora é do povo brasileiro, extorquido pela mais alta taxa de tributos que ao invés de retornarem à sociedade são surrupiados e desviados para todos os fins, menos para o que deveria ser alta prioridade social, saúde, educação, trabalho, desenvolvimento, segurança, etc.
Nenhuma tropa ou policia pode manter segurança sem que os demais mecanismos mínimos sejam providos à população. O confronto gera dor, morte, mais violência e exceção, coloca em risco o estado democrático e pode levar o país a anarquia e à instabilidade econômica e social, fantasma que todos os mais velhos temem e que os mais jovens começam a conhecer.
O grito é o desabafo contido de um povo que dizem ser “carneiro”, mas que parece já saturado do escárnio de nossos políticos, das propagandas mentirosas, da manipulação de dados, das políticas de favorecimentos, dos enriquecimentos ilícitos, da lei e justiça duvidosa, com pesos e medidas diferenciadas, com políticas que contestam os valores morais da sociedade, da família, corrompem a ética, fazendo prevalecer as nulidades, acobertados por uma mídia mercenária e desinformadora. O poder pelo poder e o dinheiro como mola mestra para manter esse poder custe o que custar. Tudo isso parece haver esgotado o povo, e agora, ou o governo atua realmente fazendo o que já deveria estar sendo executado há anos, ou caminhará para a degola, onde pelo que se vê , o povo não mais parece estar disposto a aceitar pagar o preço de uma nova derrama.
Se houver sensibilidade ouvirão o clamor que vem das ruas, especialmente da juventude. Se não, corremos o risco do retrocesso e de pagarmos, todos, um preço altíssimo e incerto pela intransigência.
“...Brava gente brasileira!
Longe vá temor servil
Ou ficar a Pátria livre
Ou morrer pelo Brasil;
Ou ficar a Pátria livre,
Ou morrer pelo Brasil...” (Hino da Independência do Brasil – Evaristo Ferreria da Veiga)
O povo pode demorar a reagir, mas não esquece.
SLRM





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